Querido P. (meu amigo imaginário),
alegria e tristeza. Nos círculos distantes da palavra, todo o meu aparato. Por isso, quando me afasto do silêncio, não sei, a vertigem devora meus dedos. No entanto, como permanecer triste?
Países, idéias, personalidades e corpos distintos. Tudo desenha um campo sem fronteiras, e eu também faço parte deste encontro. Embora não consiga medir a emoção e embora minhas impressões ainda estejam dispersas.
Em 2003, houve o Debate Poético no Mosteiro S. Bento, primeiro marco para a minha escrita: lá, conheci Alfredo Fressia, Cláudio Willer, Dirceu Villa, Rodrigo Petronio.
Em 2006, na segunda edição da FLAP, o reencontro com Rodrigo Petronio, em novas circunstâncias. Você sabe, meu amor, a gratidão será sempre maior do que o ressentimento, estamos juntos dentro e fora do turbilhão, você também representa um marco. Eu falava sobre a FLAP e queria falar sobre a importância dos eventos de literatura como esse, que transformam, reconduzem o tempo.
Ana R., te agradeço por isso, loirinha.
Virginia,
a doce melancolia que você emana chega a ferir o meu corpo na parte incorpórea. Você também habita a esfera onde tudo é informe e quer se transformar.
Jocelyn,
tanta força. Deve ser filha de Iansã, senhora dos raios.
Hector,
sim, a literatura abrange muito mais do que qualquer categoria. O Bom Crioulo, de Adolfo Caminha, aborda o sadomasoquismo, o homossexualismo, e ,no entanto, não deve ser dito apenas literatura homoerótica ou sado masoquista, pois extrapola esses limites, reflete sobre estruturas de poder, aborda a crueldade, a ambição, a injustiça etc. Também fala de amor, e o erotismo transborda na descrição dos corpos, enfim, como toda obra que se julga capaz de permanecer, de ser lida através dos séculos, excede o relato de costumes, mergulha no homem. Enfim, querido poeta. Quero te visitar no Chile muitas vezes.
Javier,
em breve, estarei com seu livro em meu deserto, pleno, apesar das lacunas. Será minha companhia. Te digo depois quais bichos, quais seres invadiram esse espaço. Carinho, rapaz.
Elias, do Cursinho da Poli (estendo o agradecimento ao Leonardo e as suas assistentes),
obrigada por ceder o espaço, obrigada pela atenção e pela paciência. Minha maior contribuição para a FLAP e uma das minhas maiores alegrias foi propiciar o encontro entre esses autores e meus eternos colegas de aprendizado e de abertura em relação à vida e ao outro.
Lúcia (do coletivo Dulcinéia Catadora),
admiro seu trabalho. Obrigada por tudo. Ontem, sua presença foi fundamental.
Poetas da Periferia,
queria que a elite intelectual tivesse essa verve. No Bar do Binho não existe Guerra Fria, guerra é guerra. Gosto disso. Sim, os ancestrais negros valorizam o corpo, o trabalho braçal. Sim, as marcas da oralidade, marcas no espírito, marcas que podem estar presentes em um texto mais ou menos forte em termos estéticos. Estética: sei que a palavra soa elitista para muitos ouvidos, mas ela pode nos redimir da miséria espiritual, que é a miséria mais perversa e atinge toda a gente, sem discriminação social, e embora às vezes sequer chegue a doer no estômago, como a outra, está no cerne de todos os males que existem. Não sei se tenho “moral” para dar palpites no trabalho de vocês, mesmo assim me arrisco: cuidado apenas com o discurso autoritário. A coragem é necessária, o grito, não.
Todos: poetas, organizadores, todos,
obrigada, obrigada, obrigada. Espero manter contato com a maioria de vocês.
Maiara Gouveia, 06 de agosto de 2008

Parabéns a todos e até o ano que vem!
Oralidade e estética: um bom começo de conversa, talvez possível pelo porte do evento. Participação seria uma pressão, do ponto de vista estético? Acredito que sim. Discurso autoritário e gritaria. Ponto importante. Por que é preciso alguém de fora para perceber isso? Ponto importante e ponto para a FLAP. Elitismo é falar de literatura em certos lugares, onde predomina o panfleto e sua pobreza espiritual. A periferia pode mais: ela pode sim gerar uma estética, pra valer. Mas é preciso largar a panfletagem. Também me arrisco, e muito mais.